Publicado em 02 jun 2026 • por Paula Maciulevicius de Oliveira Brasil •
A promoção de espaços de diálogo, escuta e construção coletiva marcou a roda de conversa “Diversidade em Foco: Respeito, Direitos e Inclusão”, realizada pela Secretaria de Estado da Cidadania, por meio da Subsecretaria de Políticas Públicas LGBTQIA+, em parceria com a UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), no último dia 26 de maio, em Campo Grande.
A ação integrou a programação do Maio da Diversidade e reuniu estudantes, professores, representantes de movimentos sociais, gestores públicos e integrantes do sistema de justiça para discutir políticas públicas, acolhimento, permanência estudantil e enfrentamento à LGBTfobia no ambiente universitário.
Com foco especial nas vivências trans dentro da universidade, o encontro reforçou a importância da construção de ambientes acadêmicos mais seguros, acolhedores e inclusivos.

Representando a Secretaria de Estado da Cidadania, o secretário-adjunto Jairo Luiz Silva destacou que promover espaços de debate sobre diversidade e direitos humanos é também fortalecer uma sociedade mais consciente e humana. “Garantir dignidade e respeito não é uma pauta restrita a um grupo específico, mas um compromisso coletivo, institucional e social. É dever do poder público, das universidades e da sociedade civil construir ambientes seguros, acolhedores e livres de discriminação”, afirmou.
Jairo também ressaltou os avanços de Mato Grosso do Sul nas políticas públicas voltadas à população LGBTQIA+, por meio do fortalecimento do diálogo, da participação social e da construção de ações voltadas à garantia de direitos. “Sabemos que ainda existem muitos desafios a serem enfrentados. Precisamos combater a violência, a exclusão, o preconceito e as desigualdades, e isso passa necessariamente pela educação, pela informação e pela construção de redes de apoio”, completou.
O pró-reitor de Ações Afirmativas, Equidade e Permanência Estudantil da UEMS, professor Fernando Machado, enfatizou que a realização do evento integra o processo de institucionalização das ações do Mês do Orgulho dentro da universidade.
“Neste ano, tivemos como foco principal a visibilidade trans, porque entendemos que, dentro da coletividade LGBTQIA+, este ainda é um dos grupos mais vulneráveis. A campanha teve justamente esse objetivo: atender, acolher e dar visibilidade aos nossos alunos e alunas trans dentro da universidade”, explicou.
Fernando também reforçou a importância das parcerias institucionais e da construção de canais permanentes de diálogo com os estudantes. “As críticas e os questionamentos são necessários, porque nos ajudam a refletir sobre práticas que muitas vezes vêm sendo reproduzidas há muito tempo sem revisão. É justamente esse processo de escuta que permite o crescimento institucional”, pontuou.

Para a promotora de Justiça e coordenadora do Núcleo da Cidadania do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Paula Volpe, discutir diversidade, inclusão e direitos humanos é uma questão de proteção da vida e enfrentamento às desigualdades.
“Quando falamos da população LGBTQIA+, estamos falando de pessoas que historicamente enfrentam mais violência, exclusão e discriminação. Precisamos olhar para dados concretos e compreender quem são as pessoas que estão tendo direitos negados e vivendo diariamente situações de vulnerabilidade”, afirmou.
Ela também destacou o papel do Ministério Público na fiscalização das políticas públicas e no combate às violações de direitos. “O Ministério Público atua tanto na esfera preventiva, promovendo diálogo, orientação e conscientização, quanto na esfera repressiva, responsabilizando crimes praticados contra essa população”, completou.
Representando os movimentos sociais LGBTQIA+, Marianna Agnes provocou reflexões sobre o papel da universidade na construção de políticas públicas permanentes e no acolhimento da população LGBTQIA+, especialmente estudantes trans.
“A população LGBTQIA+ está presente todos os dias dentro da universidade. Os corpos trans estão ocupando esses espaços e precisam ser considerados nas políticas institucionais, nos currículos, na pesquisa, na extensão e no cotidiano acadêmico”, destacou.
Marianna também chamou atenção para a necessidade de ações contínuas. “Não adianta promover um grande seminário no mês do orgulho se essas discussões não se transformarem em políticas institucionais permanentes”, reforçou.
Durante o evento, o assessor técnico da Subsecretaria de Políticas Públicas LGBTQIA+, Luan Henrique, que na ocasião representou a Subsecretária de Políticas Públicas LGBTQIA+, Mikaella Lima Lopes, trouxe um panorama das ações desenvolvidas pelo Governo do Estado voltadas à promoção da cidadania LGBTQIA+.

Entre os principais eixos apresentados estiveram o fortalecimento do Centro Estadual de Cidadania LGBTQIA+, as ações de capacitação e sensibilização institucional, o fortalecimento do Conselho Estadual LGBTQIA+ e o Pacto Estadual de Enfrentamento à LGBTfobia. “Falar sobre políticas públicas LGBTQIA+ é falar sobre cidadania, acesso a direitos, combate às desigualdades e construção de uma sociedade onde todas as pessoas possam viver com dignidade, segurança, respeito e oportunidades”, elencou.

Luan também destacou a importância da formação continuada de profissionais da saúde, educação, assistência social e segurança pública para garantir atendimentos mais humanizados e respeitosos.
Convidada para a palestra magna do evento, a professora, produtora cultural e mestranda da UEMS, Pâm Venus, compartilhou reflexões sobre educação, redes sociais e os desafios enfrentados pela população LGBTQIA+ fora dos espaços institucionais.
“As políticas públicas são fundamentais, mas elas precisam caminhar junto da educação. Precisamos discutir cidadania, diversidade e direitos humanos desde cedo, dentro das escolas e dos espaços de formação”, pontuou. Pâm também disse que a violência e o preconceito ainda aparecem de forma naturalizada em muitos espaços sociais e digitais. “A transformação acontece quando conseguimos unir legislação, educação, diálogo e conscientização social”, numerou.
Estudante do terceiro semestre de Fonoaudiologia da UEMS, Alexandre Silva Blan ressaltou a importância do Maio da Diversidade como espaço de escuta e fortalecimento coletivo dentro da universidade. “Muitas vezes os estudantes não sabem como agir diante de situações de preconceito ou discriminação. O Maio da Diversidade cria justamente esse espaço para dialogar, acolher e construir respostas coletivas”, comentou.

Segundo ele, a formação de professores e servidores também é uma demanda importante dos estudantes. “O letramento institucional é essencial para construir um ambiente mais seguro, respeitoso e inclusivo”, completou.
Maio da Diversidade
O Maio da Diversidade surgiu a partir de um marco histórico para a população LGBTQIA+: o dia 17 de maio de 1990, quando a homossexualidade deixou oficialmente de integrar a Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS). Desde então, a data passou a simbolizar a luta contra o preconceito, a violência e a discriminação, além de fortalecer o debate sobre direitos humanos, cidadania e respeito à diversidade.
Em Mato Grosso do Sul, a mobilização ganhou ainda mais força com a criação da Lei Estadual nº 4.031/2011, que instituiu o Dia Estadual de Combate à LGBTfobia. Desde então, o Maio da Diversidade se consolidou como um período de conscientização e promoção de debates sobre as diferentes orientações sexuais e identidades de gênero, reforçando a importância da construção de uma sociedade mais inclusiva, segura e livre de preconceitos.
Paula Maciulevicius, da Comunicação da Cidadania
Foto de capa: Paula Maciulevicius, da Cidadania