Fórum das Juventudes reúne jovens de sete municípios e consolida 40 propostas para o Plano Estadual

No palco de um auditório, dois jovens estão em pé diante de um telão que exibe a "Programação" do evento em tons de verde e amarelo. À esquerda, um homem de barba e óculos fala ao microfone. À direita, um jovem negro com boné e camiseta laranja segura um microfone e olha em direção a uma moça sentada em uma das cadeiras de escritório dispostas no palco. No fundo, há um painel da UFMS.
  • Publicado em 01 abr 2026 • por Paula Maciulevicius de Oliveira Brasil •

  • Com escuta ativa, protagonismo juvenil e construção coletiva, o Fórum das Juventudes reuniu 172 participantes, entre jovens e gestores públicos, na última sexta-feira (27), no Complexo Multiuso da UFMS, em Campo Grande, como parte da programação do Festival da Juventude 2026.

    Vindos de diferentes territórios de Mato Grosso do Sul, como Campo Grande, Nioaque, Figueirão, Ribas do Rio Pardo, Três Lagoas, Água Clara e Corumbá, os jovens participaram de uma tarde de diálogos, trocas e construção de propostas que irão subsidiar a atualização do Plano Estadual da Juventude.

    Visão ampla do auditório lotado durante o Fórum das Juventudes. No lado esquerdo, um homem com dreadlocks e camiseta marrom fala ao microfone, de frente para o público. A plateia é composta por jovens e adultos sentados em poltronas vermelhas. O ambiente tem paredes claras com isolamento acústico e janelas altas com persianas. O clima é de atenção e participação.
    Fórum das Juventudes foi realizado dentro da programação do Festival da Juventude 2026, na UFMS. (Foto: Paula Maciulevicius/SEC)

    A atividade integrou o Circuito da Juventude, iniciativa que percorreu diversas regiões do Estado promovendo escuta qualificada e participação social. Ao todo, o Fórum resultou na consolidação de 40 propostas, organizadas em cinco eixos temáticos: Educação, Profissionalização, Trabalho e Renda; Cultura, Esporte e Lazer; Participação Social, Diversidade e Igualdade; Sustentabilidade, Meio Ambiente, Território e Mobilidade; e Saúde Mental.

    “O fórum faz parte de um circuito. A gente passou por sete regiões realizando essas escutas e o Conselho esteve presente em todos os momentos. Tudo isso que está acontecendo aqui, dentro do festival, é fruto de uma construção coletiva e de parceria. E não é um espaço para elogios, mas de debate e construção de participação social”, destacou o subsecretário de Políticas Públicas para Juventude, Jessé Cruz.

    Uma mulher de regata branca e calça jeans, vista de costas e exibindo uma tatuagem floral, conduz uma atividade para um grupo de jovens em uma sala de aula. Os participantes estão organizados em semicírculo em cadeiras universitárias azuis. No primeiro plano à esquerda, uma mulher loira de blusa clara acompanha a dinâmica. Sobre uma mesa à frente, há um notebook aberto e garrafas de água.
    Divididos em eixos, juventudes puderam trazer contribuições para plano estadual. (Foto: Paula Maciulevicius/SEC)

    A abertura do encontro foi marcada por uma apresentação cultural de rap, construída a partir de uma nuvem de palavras elaborada pelos próprios participantes com a temática “o que é ser jovem?”. A intervenção artística trouxe para o centro do debate as vivências e percepções da juventude presente, fortalecendo o sentimento de pertencimento e identidade coletiva.

    Durante a programação, os participantes foram divididos em grupos de trabalho, com mediação especializada, para discutir desafios e apontar soluções a partir de suas realidades. Cada grupo elencou, pelo menos, três propostas prioritárias, posteriormente apresentadas em plenária.

    
O Gemini disse
Uma fotografia em plano médio mostra um grupo de cerca de 20 jovens reunidos em uma sala de aula, organizados em uma grande roda de conversa.
    Cada temática elencou, no mínimo, três propostas para serem apresentadas em plenária. (Foto: Paula Maciulevicius/SEC)

    Para a presidente do Conselho Estadual de Juventude, Isabela Nantes, o espaço foi pensado para garantir voz ativa aos jovens. “Esse é um espaço para vocês falarem, questionarem, colocarem suas demandas. A gente precisa discutir acesso ao esporte, oportunidades de trabalho e construir metas reais. E isso também passa por orçamento, por garantir que a política pública de juventude tenha recursos para acontecer”, afirmou.

    A secretária de Estado da Cidadania, Viviane Luiza, reforçou a importância de reconhecer e aproveitar as oportunidades. Em um relato pessoal, ela compartilhou sua trajetória marcada por desafios e destacou o papel da educação e das políticas públicas na transformação de vidas.

    “Às vezes, a gente fecha os olhos para aquilo que pode mudar a nossa vida. Hoje, vocês têm a oportunidade de construir um plano que não é para ficar no papel, mas para transformar realidades, nas escolas públicas, nas periferias, nas comunidades indígenas e ribeirinhas”, afirmou.

    Viviane Luiza também destacou o investimento do Governo do Estado no fortalecimento da participação estudantil, com repasses financeiros para grêmios escolares. “A participação da juventude dentro do governo começa na escola, na comunidade. É ouvindo vocês que a gente constrói políticas públicas mais justas e efetivas”, completou.

    Vozes da juventude

    Plano fechado de uma jovem de óculos e longos cabelos ondulados. Ela veste a camiseta polo azul do Instituto Mirim e usa um crachá de identificação. Ela está com a boca levemente aberta, como se estivesse dando uma entrevista ou participando de uma discussão, enquanto um celular é segurado em frente a ela para gravar o áudio.
    Do Instituto Mirim, Thallysa destaca importância de poder construir o futuro dos jovens sul-mato-grossenses. (Foto: Paula Maciulevicius/SEC)
    Em uma sala de aula ou de reuniões, um jovem negro com óculos e cabelos cacheados está sentado em uma cadeira azul com prancheta acoplada. Ele tem as mãos entrelaçadas sobre a mesa e olha atentamente para a frente. Ao seu lado, uma jovem com cabelos longos e luzes observa a mesma direção. No fundo, um homem barbudo e outros participantes completam a cena.
    De Ribas do Rio Pardo, o estudante Jhoseff ressaltou o quanto ser ouvido é fundamental. (Foto: Paula Maciulevicius/SEC)

    Entre os participantes, a estudante Thallysa Antero de Luna, de 17 anos, moradora do bairro União, destacou a importância de contribuir com ideias para o futuro. “Isso pode complementar na melhora da cidade, da infraestrutura. É muito útil poder participar, porque são várias opiniões e isso pode melhorar futuramente”, afirmou.

    Do município de Ribas do Rio Pardo, o estudante Jhoseff Gabriel, de 16 anos, da Escola Estadual Maria Ramos, também ressaltou o valor de ser ouvido.

    “Acho que pode ser gratificante para algumas pessoas poder se expressar, se libertar. Às vezes, o que falta para a juventude é mais educação”, disse.

    Já o jovem Samuel Bobson, estudante do IFMS, chamou atenção para a necessidade de ampliar o acesso à cultura e aos espaços públicos.

    Um jovem de óculos e cabelos crespos descoloridos está sentado em uma poltrona vermelha de auditório. Ele segura um microfone com a mão direita e fala com expressão entusiasmada. Ele veste uma camiseta preta com a estampa "NIAR" e usa um crachá de identificação no pescoço. Ao fundo, outros jovens em poltronas vermelhas observam a fala.
    Do IFMS, Samuel apresentou falas acerca de oportunidades que as propostas precisam trazer. (Foto: Paula Maciulevicius/SEC)

    “A gente ficou muito preso nas telas e agora que pode sair, muitas vezes não tem o que fazer. É preciso levar ações para as praças, dar espaço para artistas, grupos de teatro. A arte não precisa de milhões para acontecer, ela precisa de oportunidade. A gente precisa de palco para poder brilhar”, defendeu.

    Ao final do encontro, as 40 propostas sistematizadas passam a compor um conjunto de subsídios técnicos e políticos que irão orientar a elaboração do novo Plano Estadual da Juventude, com foco em maior aderência às realidades contemporâneas das juventudes sul-mato-grossenses.

    Além da construção de propostas, o encontro fortaleceu a articulação entre poder público, conselho de juventude e lideranças locais, consolidando o Fórum como um espaço estratégico de participação cidadã e de desenvolvimento do senso crítico e do engajamento político entre jovens.

    Paula Maciulevicius, da Comunicação da Cidadania
    Fotos: Paula Maciulevicius/SEC

    Categorias :

    Cidadania, Juventude

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