Mato Grosso do Sul leva programa Protege à ONU e debate proteção de mulheres em fórum internacional

Fotografia em plano aberto de uma sala de conferências nas Nações Unidas. Diversas pessoas estão sentadas ao redor de uma grande mesa semicircular de madeira clara. No centro da mesa, há placas de identificação azuis, incluindo uma onde se lê "RED CEA". Ao fundo, uma tela de projeção exibe um texto. Nas laterais e ao fundo, outras pessoas acompanham a reunião em pé ou sentadas em cadeiras extras. O ambiente tem iluminação suave e teto com diversas luminárias embutidas.
  • Publicado em 16 mar 2026 • por Paula Maciulevicius de Oliveira Brasil •

  • O Governo de Mato Grosso do Sul levou ao debate internacional o Protege, Programa de Estado de Prevenção e Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, durante a 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, realizada na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque.

    A apresentação pela subsecretária de Políticas Públicas para Mulheres, Manuela Nicodemos Bailosa, dentro da programação paralela da Commission on the Status of Women (CSW70), principal fórum intergovernamental global dedicado à promoção da igualdade de gênero e ao empoderamento das mulheres.

    O encontro reúne representantes de Estados-membros, organismos internacionais e organizações da sociedade civil de diferentes países para discutir avanços e desafios na garantia dos direitos das mulheres. Nesta edição, o tema central é “Acesso à justiça para mulheres e meninas”, além do enfrentamento à violência de gênero e a ampliação da participação feminina nos espaços de decisão.

    Retrato em plano médio de uma mulher (Manuela) de pele clara e cabelos escuros ondulados na altura dos ombros. Ela usa óculos de armação escura, batom cor de vinho e um blazer branco sobre uma blusa escura. Na lapela do blazer, há um pequeno bóton azul com o emblema da ONU. Ela está levemente voltada para a direita, com as mãos unidas à frente, parecendo falar durante uma reunião. O fundo é uma parede branca com textura de pequenos relevos ovais.
    Subsecretária de Políticas Públicas para Mulheres, Manuela Nicodemos Bailosa, durante apresentação.

    Segundo Manuela, a CSW é um espaço estratégico para influenciar políticas públicas e promover intercâmbio de experiências entre países.

    “A Comissão é historicamente fundamental na definição de políticas públicas globais de igualdade de gênero. Aqui se discutem estratégias para fortalecer o acesso à justiça, eliminar a violência contra mulheres e ampliar a participação feminina na vida pública”, afirmou.

    Programa sul-mato-grossense no debate internacional

    Durante a agenda na ONU, a subsecretária apresentou as diretrizes e os principais eixos do Protege, programa criado pelo Governo do Estado para ampliar a prevenção, o atendimento e o enfrentamento à violência doméstica e familiar.

    O convite para apresentar a iniciativa surgiu a partir de organizações internacionais que atuam com direitos indígenas, interessadas na abordagem do programa voltada às mulheres e meninas dos povos originários.

    Entre os pontos destacados na apresentação estão a interseccionalidade, a territorialização das políticas públicas e o atendimento humanizado na rede de proteção, especialmente em territórios indígenas.

    “Nas premissas de execução do programa, consideramos a multiplicidade das mulheres em Mato Grosso do Sul. Nosso compromisso é levar políticas públicas para todos os territórios e formulá-las a partir da escuta ativa dessas mulheres”, explicou Manuela.

    A apresentação também abordou desafios para ampliar o acesso à justiça e fortalecer a rede de atendimento, além de destacar a importância da interculturalidade nos serviços de proteção às mulheres indígenas.

    Fotografia de ângulo médio mostrando uma bancada de madeira curva em uma sala de reuniões com paredes revestidas de painéis de madeira esculpida. Manuela está sentada ao centro, usando uma blusa listrada de branco e rosa claro, escrevendo em um caderno. Ao lado dela, outras mulheres operam laptops. À frente de cada assento, há microfones de base preta e equipamentos de tradução ou votação. No canto superior direito, vê-se uma janela de vidro que dá para uma cabine de tradução simultânea.
    Apresentação de políticas públicas nascidas em solo sul-mato-grossense é inédita na ONU.

    Acesso à justiça como desafio global

    O debate central da edição deste ano da CSW dialoga diretamente com a realidade brasileira. Apesar de avanços importantes na legislação, como a Lei Maria da Penha, ainda existem desafios para garantir que os direitos das mulheres sejam plenamente acessados.

    “Temos instrumentos legais importantes, mas ainda existe o desafio de garantir a aplicabilidade integral desses direitos. Muitas mulheres ainda não conhecem os mecanismos legais ou não conseguem acessar os serviços disponíveis”, avaliou a subsecretária.

    Segundo ela, fortalecer a rede de proteção e ampliar a divulgação de direitos são passos essenciais para enfrentar a violência.

    Experiência que ultrapassa fronteiras

    A participação de Mato Grosso do Sul na Commission on the Status of Women (CSW70) marca um momento inédito para o Estado: é a primeira vez que uma política pública estadual voltada às mulheres é apresentada oficialmente em um espaço da Organização das Nações Unidas.

    Para a subsecretária Manuela Nicodemos Bailosa, a presença no fórum internacional reforça um caminho que vem sendo construído desde 2023: ampliar a capilaridade das políticas públicas nos municípios e fortalecer a rede de enfrentamento à violência contra as mulheres ao lado das gestoras e coordenadoras municipais.

    Segundo ela, ocupar espaços internacionais também significa aprender com experiências de outros países e revisar estratégias para tornar os programas cada vez mais eficazes.

    “Quando o Mato Grosso do Sul ocupa esses espaços, ampliamos nosso olhar sobre as políticas públicas. Ideias, experiências e iniciativas de outros lugares nos ajudam a fortalecer aquilo que já fazemos e a identificar novas possibilidades de ação”, destacou.

    Manuela ressaltou ainda que o intercâmbio internacional é fundamental para aprimorar as políticas públicas, especialmente em um contexto global em que os desafios relacionados à igualdade de gênero e à proteção das mulheres ainda são significativos.

    “Nosso trabalho não pode estar desvinculado da experiência internacional. Precisamos compartilhar o que estamos fazendo e também nos inspirar em outras iniciativas. Esse diálogo fortalece as políticas públicas e amplia a capacidade de garantir direitos”, afirmou.

    A subsecretária também destacou que o Brasil possui importantes marcos legais no enfrentamento à violência de gênero, como a Lei Maria da Penha, considerada uma das legislações mais avançadas do mundo na proteção das mulheres.

    Para ela, apresentar o Protege em um espaço global representa não apenas visibilidade para as políticas públicas desenvolvidas no Estado, mas também um compromisso com a construção coletiva de soluções.

    “Um Estado que busca desenvolvimento e prosperidade precisa, necessariamente, garantir que nenhuma mulher fique para trás”, concluiu.

    Paula Maciulevicius, da Comunicação da Cidadania

    Categorias :

    Cidadania, Mulheres

    Veja Também