Cidadania leva ao Delas Day lições de quem transformou a dor em novos caminhos

Foto em plano aberto do palco para a plateia. Quatro mulheres estão em pé no centro do palco, sorrindo para a foto. À frente delas, uma borda de flores naturais em tons de rosa e branco. O auditório está lotado com centenas de mulheres sentadas em cadeiras organizadas em fileiras. Ao fundo, brilha um letreiro que diz "Mercado Sebrae". O teto é alto, com estrutura industrial e iluminação de palco profissional.
  • Publicado em 28 fev 2026 • por Paula Maciulevicius de Oliveira Brasil •

  • Histórias reais, emoções genuínas e um convite coletivo à coragem marcaram a participação da SEC (Secretaria de Estado da Cidadania) no Delas Day, o maior evento voltado ao protagonismo feminino em Mato Grosso do Sul. No centro da programação, o painel sobre inteligência emocional mostrou, na prática, que atravessar desafios pode ser também um ponto de virada.

    Foto em close de uma mulher branca de cabelos castanhos presos, vestindo uma camiseta rosa do evento. Ela segura um microfone com as duas mãos e olha para a frente com uma expressão comunicativa. Ao fundo, parte do telão exibe o ano "2026".
    Titular da SEC, Viviane Luiza conduziu mediação de painel que trouxe inspirações às mulheres. (Foto: Matheus Carvalho/SEC)

    Mediado pela secretária da Cidadania, Viviane Luiza, o encontro reuniu trajetórias diferentes, atravessadas pela doença, pelo propósito coletivo e pelo empreendedorismo, que se unem em uma só escolha: seguir em frente mesmo quando a vida retira as certezas.

    Logo na abertura, Viviane Luiza conduziu o público a uma reflexão direta: “Quem aqui já enfrentou um desafio que parecia grande demais?” A pergunta que ecoou no auditório preparou o terreno para relatos que falam de medo, recomeço e reinvenção.

    Ao longo do painel, a secretária destacou que a inteligência emocional é construída justamente nos momentos em que o chão parece faltar. “São nesses processos que a gente se fortalece, e fortalece também quem está à nossa volta”, afirmou.

    Vozes que tocaram o público

    Foto em close por trás de uma mulher de blusa rosa pink que levanta o celular para fotografar ou filmar o palco. A tela do celular mostra o palco iluminado e as palestrantes. As cadeiras ao redor possuem capas azuis com a palavra "Prioritário" escrita em branco.
    Professora aposentada, Elma fez questão de registrar o momento em que as emoções tomaram conta da plenária. (Foto: Paula Maciulevicius/SEC)

    Entre as participantes do evento, muitas mulheres não apenas ouviram, mas sentiram o que cada palavra trazia. Foi o caso da professora Elma Oliveira Lima, de 68 anos, que se levantou da plateia para se aproximar do palco e registrar o momento no celular, visivelmente emocionada. Para ela, estar ali foi mais do que assistir a uma palestra.

    “Eu vou me emocionar… Eu acho que é tudo por aí: se você não estiver bem emocionalmente, com a cabeça boa, você até pode empreender, mas não está resolvida. Tem sido maravilhoso estar aqui pelo depoimento das pessoas, este evento vem dar uma levantada na autoestima da gente. Tudo isso é lição de vida”, resumiu.

    Poucas cadeiras ao lado, quem também acompanhava cada fala sem desviar o olhar era Leide Pereira, de 37 anos, que hoje atua como personal bronze e na área de vestuário. Atenta do início ao fim, ela disse ter se reconhecido nas histórias compartilhadas.

    Foto em ângulo lateral focando em uma mulher na plateia. Ela veste uma blusa preta acetinada, tem os cabelos presos em um coque e usa um crachá do evento. Ela observa o palco com atenção, com as mãos entrelaçadas no colo. Ao lado, outras mulheres aparecem focadas em seus celulares ou assistindo à palestra.
    Para Leide, trajetórias expostas no painel inspiram mulheres no dia a dia. (Foto: Paula Maciulevicius/SEC)

    “Eu me vi. Eu tenho um projeto social, sem fins lucrativos, e ouvir essas histórias faz a gente acreditar mais. O processo existe, e ele é um passo para você chegar onde quer chegar”, afirmou.

    Para Leide, o principal legado do painel foi reacender a confiança de quem, por vezes, pensa em desistir.

    “Assim como eu, muitas mulheres refletiram aqui e viram que é possível. Às vezes a pessoa está desacreditada, mas quando ela escuta uma palestra dessas, ela volta a acreditar que consegue.”

    Histórias que ensinam a atravessar

    No palco, a empresária e designer de interiores Carlyne Falcette compartilhou sua experiência recente com o diagnóstico de câncer de mama e conduziu uma demonstração prática do autoexame das mamas, reforçando a importância do autocuidado.

    “Esse é um movimento que pode salvar vidas. A gente precisa olhar mais para o próprio corpo e se amar mais”, disse.

    Foto em close de uma mulher de blusa vermelha e cabelos escuros, sentada em uma poltrona cinza. Ela segura o microfone próximo à boca com a mão direita e repousa a mão esquerda sobre o peito, em um gesto de emoção ou sinceridade enquanto fala.
    Para Rosana Martinez, olhar para a jornada é mais importante do que somente esperar resultados. (Foto: Matheus Carvalho/SEC)

    Educadora e ativista, Rosana Martinez falou sobre transformar a dor em missão coletiva, a partir da atuação à frente da Associação de Doenças Neuromusculares e Raras de Mato Grosso do Sul. Mãe de Pedroka Martinez, como o jornalista é conhecido, ela se despediu do filho em maio de 2025, carregando consigo a lição de que ela não perdeu um filho, e sim ganhou 37 anos de vida ao lado dele.

    Ao se dirigir às mulheres presentes, Rosana fez questão de enfatizar que a jornada é mais importante do que o resultado. “Foquem na jornada. O que você vai deixar de pegadas no teu caminho para que alguém continue aquilo que você começou é muito maior do que o resultado”, refletiu.

    Foto em close de uma mulher de blazer branco e cabelos castanhos soltos. Ela fala ao microfone com entusiasmo, gesticulando com a mão esquerda aberta. Ela usa anéis dourados e uma pulseira delicada. O fundo é azul vibrante.
    Empreendedora, Natalie Pavan deixa mensagem de que ideias precisam sair do papel. (Foto: Matheus Carvalho/SEC)

    Encerrando o painel, a empresária Natalie Pavan incentivou as mulheres a saírem do campo das ideias e partirem para a ação. “Se algo vibra no seu coração, coloque em prática hoje. O momento ideal é agora, e você vai aperfeiçoando no caminho”, destacou.

    Compromisso que continua

    Ao final, Viviane Luiza reforçou que fortalecer emocionalmente as mulheres também passa por políticas públicas estruturantes, citando iniciativas como o programa Protege e as ações realizadas em parceria com o Sebrae Plural.

    Segundo a secretária, criar ambientes de escuta, formação e autonomia é parte do compromisso permanente da Cidadania.

    A participação no Delas Day reafirma o caminho da Cidadania: o de construir políticas públicas que acolham as dores, reconheçam as trajetórias e ampliem as possibilidades para que cada mulher sul-mato-grossense possa, no seu tempo, transformar desafios em novos começos.

    Paula Maciulevicius, Comunicação Cidadania
    Fotos: Matheus Carvalho/SEC

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    Cidadania, Mulheres

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